terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Não é que quem tenha meios materiais tenha tudo, mas que quem não os tenha nem isso fique à mercê da necessidade de tê-los, que é básica.

Ficar à mercê desta necessidade é dedicar a vida supri-la... Sonhar se torna impossível.
Algumas de minhas relações amorosas são constituídas também sexualmente. Não me parece que o desejo sexual seja fiel senão a si mesmo. É que o instinto sexual é determinado complexamente por diversos fatores e, deste modo, nossa volição não tem importância significativa. O instinto sexual, quando “quer”, não abandona sua predileção.

Talvez, dentre as muitas possibilidades de direção do instinto sexual, haja alguma que diga respeito à monogamia em longo tempo, talvez para toda a vida. Mas, tenho toda certeza de que essa orientação, naturalmente, é rara – e, deve-se dizer, não é mais nem menos valiosa que as demais.

Eleger como pura, santa ou “normal” somente uma maneira de relacionamento amoroso não é senão uma construção histórica. No entanto, opõem-se: comparam-nos com outros animais ou apelam ao ciúme... Escutemos este último argumento, o ciúme não é uma prova da “naturalidade” da monogamia para os seres humanos?

Não raro as considerações sobre os sentimentos partem da premissa que estes formam um sistema equilibrado – como se, por hipótese, se nos deixássemos à mercê dos sentimentos, na sua forma mais pura, seríamos felizes e viveríamos perfeitamente. Não é verdade. O ser humano não é perfeito. O seu sistema de sentimentos também não o é.

Spinoza dizia que os “objetivos” são ilusões dos seres humanos. Estes acreditam que as coisas têm um fim determinado, daí dizem que o rio foi criado pra lhes fornecer água; os animais, para lhes saciar a fome; o ciúme, para policiar a monogamia; o que é ruim, para lhes punir! Assim, pelo “fim necessário”, se compõe a perfeição humana.

A ética – possível somente para animais racionais – deve mediar as nossas relações. Deve resolver, neste caso, p.ex., a seguinte contradição: “eu digo amar uma pessoa e outra, mas não quero que elas amem alguém além de mim da mesma forma como as amo”. Condeno-as a uma prisão, em nome da minha liberdade! Guio-me por um querer do meu instinto que elimina o querer alheio: isso é harmônico?
Queria poder discorrer com precisão acerca de como se deve lidar com a língua cotidiana, informal, nas escolas. Entretanto, tudo o que posso fazer é alertar sobre a estreita ligação entre a cultura local, e atual, e as mudanças informais da língua erudita.

Quando há, a política de ensino da língua, nas escolas brasileiras, parece opor à linguagem coloquial a língua “culta”, como se esta fosse o bem a libertar os estudantes daquela – o “pecado original”. Não há erro maior.

A raiz do problema é a concepção deturpada de cultura, mas especificamente, na confusão entre cultura e erudição. Não há dúvida de que a língua portuguesa, em sua forma oficial, é um relicário cultural. Mas, até sua legitimação, foi alvo da modificação por seus falantes ao longo da história.

É bem verdade que o produto das modificações também é cultura, mas, a exemplo do caso da língua formal, notamos que, por ser resultados de transformações que a cada segundos nos são mais distantes, se tendermos a considerá-la somente, conceberemos, erradamente, como cultura, algo estático. Enquanto a erudição é a parte cristalizada da cultura, esta mesma é sobretudo um processo.

O processo negou, nega e irá negar vários elementos da língua, como é inevitável, o que não significa que se perderão. Não faltam elementos para gravar as obras literárias dos séculos passados, às quais podemos recorrer e recordar, mas que, além das adaptações, via de regra não sobrevivem atual e cotidianamente de modo tão natural.

O tempo presente é o coração da cultura, pois não é nem potência nem produto da atividade cultural, mas a própria produção.

Mas, tão inversamente ao que quero propor, o tom usado até agora parece delegar à língua “culta” uma posição tal que poderia supor localizá-la numa disciplina histórica. Não é isso. A norma culta tem suma importância para a comunicação geral, no sentido de que é um padrão de comunicação, principalmente entre categorias do conhecimento; no entanto, não vivemos em constante atividade acadêmica, burocrática etc.
Só tenho mais segurança em filosofar com palavras, porque não me parece que qualquer pessoa compreenda uma idéia tão-somente pelo que está escrito num texto. Estranho que, tão inversamente, esse é o mesmo argumento apresentado para se condenar as palavras na filosofia... Porém, deve-se compreender que, se é a carga cultural que fornece a significação das palavras – e, nisso, pode nos confundir devido à polissemia –, é também ela quem corrige as “falhas” entre o que está em forma de palavras e o que se pretende passar.

Isso é patente, quando verificamos que um computador não consegue apreender idéias, mas somente dados. Dados são “secos” – tem fim em si, como um caractere –, têm, portanto, limite das formas pelas quais podem ser passados, em função da programação prévia. Se a um dado corresponde uma seqüência de caractere, inserido-a num computador, aquele dado, exatamente ele, e nada mais, será armazenado (e não “compreendido”)... Enquanto isso, as idéias são sensações inquietas que, ou não têm extensão, ou os limites que as individualizam são indistinguíveis.


A clareza das palavras depende da afinidade cultural. Ora, para mim, um texto em sânscrito tem clareza nula... Um escrito, mesmo que “traduzidos ao pé da letra”, tem clareza cada vez menor para mim quanto menor é o conhecimento meu sobre a cultura da pessoa que o escreveu. A língua ou a forma de adequação de outra língua – como, por exemplo, a forma brasileira de usar o português ou o próprio português adaptado pelos celtiberos, a partir do latim vulgar – é uma expressão da cultura que angaria todas as outras categorias culturais. De tal maneira que, reciprocamente, através da cultura conheço melhor uma língua e, através desta, aquela.

Um texto organiza idéias, no sentido em que as aponta “aproximadamente” numa direção... Por exemplo, embora alguns não compreendam, tento, com este texto, “cercar” as idéias referentes ao uso da palavra na filosofia. A apreensão desta direção depende muito da intimidade cultural do interlocutor e da clareza no ato de escrever. Pelo dito no parágrafo anterior, então, é tanto mais hábil quem escreve quanto consegue, baseado nas concepções culturais alheias, transmitir o que pensa. Ou seja, se quero discutir com um francês, é bom que entenda sua língua imersa em sua cultura. Se eu escrever em português e traduzir palavra a palavra, é bem provável que não lhe transmita uma direção nem sequer aproximada do que quero...


Na filosofia existem palavras ditas intraduzíveis, que são mantidas em sua grafia original, como se houvesse um entendimento geral acerca do significado daqueles termos. No entanto, acontece que esses mesmos termos foram – não raro – objetos de discussões anteriores. O entendimento deles é, então, um produto do processo da própria filosofia; podemos dizer, então, que há uma cultura filosófica.

A partir disso poderia eu me enveredar a defender a eleição de uma “língua universal filosófica”, contudo não é para onde rumo esta fragata. Quero somente afirmar que as palavras são uma forma ótima de transmissão de idéias, isso se observados os requisitos de conhecimentos mútuo da cultura dos que discutem entre si. Ademais, a globalização aponta o mundo cada vez mais a possuir traços afins de cultura, o que talvez seja a base para a emersão natural e gradativa daquela língua mundial.
Dizer que o objetivo de vida do homem é ser feliz é uma obviedade? O homem é ser considerado consciente de que existe e tem vontades (“demandas da liberdade possível”?) e as tenta realizar em sua vivência. Ora, se tenho uma decepção amorosa e tento me suicidar, de nada me “abstenho”, pelo contrário, crio (ou, mais cuidadoso em termos de minha filosofia, “sou levado a criar”) uma demanda e a tento suprir. As necessidades mudam, mas sempre existem. Estou quase seguro de que um sentimento em comum precede as ações humanas, mas não sei se trazem sempre um “sentimento-resposta” – como a satisfação (que é uma felicidade).

Macaxeira.Com.BRasil sai quente da panela de barro!

"Mandioca, Aipim ou MACAXEIRA , de nome científico Manihot esculenta, é um arbusto que teria tido sua origem mais remota no oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) e que, antes da chegada dos europeus à América, já estaria disseminado, como cultivo alimentar, até à Mesoamérica. No Brasil, possui muitos sinônimos, usados em diferentes regiões, tais como aipi, aipim, castelinha, macaxeira, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, pão-de-pobre, e variedades como aiapuã e caiabana, ou nomes que designam apenas a raiz, como caarina."

(Extraído da Wikipédia, com adaptações.)

Confesso que estas palavras que escrevo agora não são frutos de um trabalho textual longo... Na verdade, apenas quero quero justificar o nome do Blog.

Macaxeira.Com.BRasil é uma referência à nossa diversidade cultural.

Aqui quero escrever textos, ler e discutir sobre assuntos variados.
E, sempre quando possível, associá-los ao Brasil...

O sentimento nacional me é uma incógnita...
Quero aprender sobre ele refletindo.
Refletindo sobre tudo.
É que nada é uma parte senão na medida em que definimos assim.
Tudo é um todo.

Eu acho.